... As pessoas da primeira classe são os secretários perfeitos, assistentes, companheiros. Têm uma personalidade muito fluida, mas sua fluidez não é nutritiva. São, entretanto, serviçais, preocupados, totalmente domésticos, dispõem de recursos dentro de certos limites, são bem-humorados, têm boas maneiras, são doces e delicados. Em outras palavras, são as pessoas mais simpáticas que alguém pode encontrar, mas têm uma enorme falha: não conseguem funcionar sozinhas. Estão sempre necessitadas de alguém para dirigi-las. Com direção, são perfeitas, não importando quão difícil ou antagônica essa direção possa ser. Entregues a si mesmas, perecem.
As pessoas da segunda classe não são nem um pouco simpáticas. São mesquinhas, vingativas, invejosas, ciumentas, autocentradas. Falam exclusivamente sobre si mesmas e em geral esperam que as pessoas se enquadrem em seus padrões. Sempre tomam a iniciativa mesmo quando não se sentem confortáveis com ela. Ficam profundamente desconfortáveis em qualquer situação e nunca relaxam. São inseguras e nunca conseguem ser agradadas; quanto mais inseguras se tornam, mais desagradáveis ficam. Sua falha fatal é que matariam para ser líderes.
Na terceira categoria estão as pessoas que não são simpáticas nem desagradáveis. Não servem e não se impõem a ninguém. Antes, são indiferentes. Têm uma idéia exaltada acerca de si mesmas derivada unicamente de divagações de pensamento desejoso. Se são extraordinárias em alguma coisa, é em esperar que as coisas aconteçam. Estão esperando ser descobertas e conquistadas e têm uma maravilhosa facilidade para criar a ilusão de que têm grandes coisas em suspenso, que sempre prometem liberar mas nunca fazem porque, na verdade, não dispõem de tais recursos.
... O problema conosco é que nos tomamos a sério. Independente da categoria na qual se encaixa nossa auto-imagem, isto só importa por causa de nossa auto-estima. Se não fôssemos tão auto-importantes, não importaria nem um pouco em qual categoria entraríamos. “Sempre serei um peido, mas agora sou um peido que não se leva a sério, enquanto você ainda o faz...